Membros do MPCE comemoram decisão da OMS de não classificar velhice como doença

Membros do MPCE comemoram decisão da OMS de não classificar velhice como doença

Membros do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) comemoraram a decisão da Organização Mundial da Saúde (OMS) de não mais classificar velhice como doença. Em 18 de junho deste ano, o MPCE, juntamente com a Associação Nacional dos Membros do Ministério Público de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência e Idosos (AMPID), havia manifestado preocupação sobre a decisão da OMS de incluir a velhice na nova versão da Classificação Internacional de Doenças (CID 11), que entra em vigor em janeiro de 2022. Com o recuo anunciado na última terça-feira (14/12), a Organização atende a forte pressão internacional de organizações científicas e da sociedade civil para a revisão da decisão.

Na nota de preocupação, MPCE e AMPID alertaram a sociedade brasileira sobre a necessidade de ação organizada e imediata contra a inclusão da velhice na CID 11. Com a inclusão, a velhice passaria a ser um possível fator associado à causa de uma morte e não mais como a causa definida e registrada no diagnóstico médico. A preocupação manifestada pelo MPCE e pela AMPID se deve ao fato de que os profissionais de saúde e gerontologia alertarem que velhice é uma condição humana e não um sintoma de doença. Ao ser considerada como um sintoma, a velhice mereceria um diagnóstico e seria passível de tratamento com medicamentos, ou seja, estaria à mercê da exploração da indústria farmacêutica e de profissionais da área de tratamentos antienvelhecimento.

Alexandre Alcântara, que é titular da 1ª Promotoria de Justiça de Defesa do Idoso e da Pessoa com Deficiência de Fortaleza, destaca que a velhice é uma etapa do desenvolvimento humano, não é um estado biológico definido e uniforme. A idade cronológica varia pessoal, cultural e historicamente, não sendo possível correlacioná-la, por si e exclusivamente, com um estado de adoecimento.

“Essa inclusão, com certeza, causaria um impacto negativo grande em vários segmentos e reforçaria ainda o preconceito contra os idosos. Por isso, houve um movimento muito forte aqui na América Latina, especialmente, que ganhou corpo em outras partes do mundo até que, finalmente, a OMS voltou atrás e resolveu não mais considerar a velhice como doença. Acredito que isso [o recuo sobre a inclusão da velhice na CID 11] foi uma decisão acertada, porque essa classificação só traria mais estigmas às pessoas idosas”, destacou Alexandre Alcântara.

Confira aqui a Nota de Preocupação do MPCE.

ascom

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