MPCE participa de aula inaugural de curso que discute fiscalização das Instituições de Longa Permanência para Idosos

MPCE participa de aula inaugural de curso que discute fiscalização das Instituições de Longa Permanência para Idosos

O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), representado pelo promotor de Justiça Alexandre Alcântara, participou, nesta segunda-feira (25/10), da aula de abertura do curso de formação continuada em sistematização da fiscalização das Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs). O evento, que foi organizado pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), trouxe ao público aspectos da proteção integral da pessoa idosa no âmbito das ILPIs.

O encontro virtual foi conduzido pelo promotor de Justiça do MPRN, Guglielmo de Castro, tendo como objetivo fomentar discussões e reflexões acerca da necessidade da garantia de direitos, em sua integralidade, às pessoas idosas residentes em ILPIs, como introdução ao Curso de Formação Continuada em referência. A referida aula de abertura ainda contou com a participação da promotora de Justiça do MPRN, Suely Nobre.

Em sua palestra, o promotor de Justiça Alexandre Alcântara, que é titular da 1ª Promotoria de Justiça de Defesa do Idoso e da Pessoa com Deficiência de Fortaleza e coordenador auxiliar do Centro de Apoio Operacional da Cidadania (CAOCIDADANIA) do MPCE, iniciou sua exposição abordando a questão social do envelhecimento populacional e as ILPIs no contexto da desigualdade e pobreza do país, que atinge 27 milhões de brasileiros.

Em seguida, o membro do MCPE destacou que, no atual contexto pandêmico, foram constatadas nas ILPIs carências, estruturas físicas inadequadas, falta de recursos humanos, déficit de orçamento, bem como a total apatia do poder público para enfrentar o envelhecimento da população com políticas públicas eficientes. Alexandre Alcântara pontuou que quanto maior o número e o grau de dependência dos idosos residentes, maior é o desafio de oferecer uma proteção integral.

O membro do MPCE abordou ainda a Resolução nº 109/2009, do Conselho Nacional de Assistência Social, que aprova a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais, de Serviço de Proteção Social Básica, Média e de Alta Complexidade. Em seguida, Alexandre Alcântara mencionou pesquisas realizadas pela CEPAL e pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), em que foi demonstrada a dinâmica demográfica do Brasil, em que o país deixou de ser um país de jovens, o que evidencia o processo de envelhecimento populacional.

O representante do MPCE também expôs a visão geral das Instituições Brasileiras para Idosos, ressaltando que, entre 1940 e 2009, foram criadas 2.897 novas instituições, sendo a grande maioria privada com fins lucrativos. O membro do MP Cearense destacou, na sequência, os custos e recursos das ILPIs, além do fato de que o Estatuto do Idoso faculta em seu art. 35 que as ILPIs filantrópicas/casas lar cobrem até 70% de qualquer benefício previdenciário ou de assistência social percebido pelo idoso.

Alexandre Alcântara ainda aproveitou o espaço para destacar ação do MPCE que resultou na interdição da ILPI Caminho de Emaús, no ano de 2015, mencionando a situação alarmante e precária que viviam as pessoas idosas institucionalizadas no equipamento. “Dentre outras situações, havia a presença de baratas em alguns cômodos do local, inclusive ocasionando odores fortes, bem como sujidades diversas, animais domésticos, desorganização e entulhamento de objetos nas dependências da casa, além da existência de alimentos estragados”, resumiu o promotor de Justiça.

O titular da 1ª Promotoria de Justiça de Defesa do Idoso e da Pessoa com Deficiência também abordou os principais pontos do Decreto nº 8.553/2008, de Natal (RN), especialmente o seu anexo que disciplina o corpo de profissionais com formação específica por números de pessoas idosas institucionalizadas.

Por fim, Alexandre Alcântara ressaltou a necessidade de uma coordenação de uma política nacional que pense e articule com os estados, Distrito Federal e municípios, investimentos nos três modelos de ILPIs (público, prioritariamente e filantrópico e empresarial, complementarmente ), finalizando ainda afirmando que todos devem conhecer onde estão e quais são as ILPIs do País.

ascom

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