Promover um debate qualificado sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) da adolescência à vida adulta. Esse foi o intuito da terceira edição do Seminário do TEA, realizado na manhã desta quinta-feira (09/04) pela Ouvidoria-Geral do Ministério Público do Ceará no auditório da Procuradoria Geral de Justiça, em Fortaleza. O evento reuniu membros e servidores, especialistas, gestores públicos, sociedade civil organizada e interessados na temática, buscando ampliar a discussão com foco em potencialidades, direitos, autonomia e estratégias de inclusão desse público.
Representando o procurador-geral de Justiça do Ceará, Herbet Santos, o subprocurador-geral de Justiça Jurídico, Laércio Melo, frisou o papel constitucional do MP na concretização de direitos. “O Ministério Público do Ceará compreende que a justiça não é apenas aquilo que se decide nos autos, mas o que se concretiza na vida. Este seminário nasce, portanto, de uma inquietação de quem sabe que ainda há lacunas no cumprimento das leis e pela responsabilidade de não aceitarmos essas lacunas. Nós não podemos silenciar. A Administração Superior do MP está comprometida com essa pauta porque é nesse encontro de saberes técnicos e humanos que surgem as verdadeiras transformações sociais”, declarou.
A ouvidora-geral do MP do Ceará, procuradora de Justiça Loraine Jacob Molina, destacou a importância do diálogo institucional para assegurar a continuidade do cuidado e das políticas públicas ao longo do ciclo de vida desse público, promovendo cidadania. “A nossa preocupação hoje é que nós tenhamos condições para que as pessoas com TEA consolidem possibilidades de trabalho e tenham condições de gerarem o próprio sustento. Nós temos que avançar em políticas públicas e a população de cada município pode fiscalizar as que estão planejadas para esse público”, afirmou.
Depois da abertura institucional, o bacharel em Turismo e autista nível 1 de suporte, Dudu Rodrigues, compartilhou experiências e vivências apresentando os desafios e as conquistas de um palestrante autista”. Em seguida, o psiquiatra Alexandre Câmara, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e chefe do Serviço de Psiquiatria do Hospital Geral de Fortaleza, falou sobre “Ansiedade e Depressão no Diagnóstico Tardio do TEA”, em palestra que contou com a participação, como debatedora, da procuradora de Justiça Isabel Pôrto, vice-ouvidora-geral e coordenadora auxiliar do Centro de Apoio Operacional da Saúde (Caosaúde). Por fim, a enfermeira e pesquisadora Cibelly Freitas ministrou o tema “A pessoa com Autismo nasce e cresce! Vidas atípicas sob as lentes das políticas públicas”, em debate conduzido pelo promotor de Justiça Rodrigo Calzavara, coordenador auxiliar do Centro de Apoio Operacional de Defesa da Cidadania (Caocidadania).