Último dia do 1º ciclo de diálogos da Lei Maria da Penha discute atuação da rede de apoio às vítimas de violência doméstica

Último dia do 1º ciclo de diálogos da Lei Maria da Penha discute atuação da rede de apoio às vítimas de violência doméstica

Encerrou-se, na manhã desta quinta-feira (11/08), o 1º Ciclo de Diálogos da Lei Maria da Penha. Na ocasião, discutiu-se sobre a atuação do Sistema de Justiça e Segurança Pública no cumprimento de medidas protetivas e sobre a importância da rede de apoio às vítimas de violência doméstica. Aberto ao público, o evento foi realizado por meio da Plataforma Microsoft Teams, tendo sido promovido pelo Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (CEAF) e pelo Núcleo Estadual de Gênero Pró-Mulher (Nuprom), com apoio da Escola Superior do Ministério Público (ESMP). 

O terceiro e último dia do ciclo de diálogos foi aberto pela coordenadora do Nuprom, promotora de Justiça Lucy Antoneli. A representante do MPCE agradeceu a presença de todos os palestrantes convidados e destacou a relevância da realização do primeiro ciclo de diálogos durante o “Agosto Lilás”, mês que visa alertar sobre a conscientização e combate à violência doméstica contra a mulher e que marca o aniversário de 16 anos de criação da Lei Maria da Penha.  

A primeira palestra do dia discutiu sobre “a atuação do Sistema de Justiça e Segurança Pública – cumprimento das Medidas Protetivas e apresentação do GAVV (Grupo de Apoio às Vítimas de Violência da PMCE)”. Os expositores foram a juíza titular do 1º Juizado da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Fortaleza, Rosa Mendonça, e o comandante do Comando de Prevenção e Apoio às Comunidades (COPAC) da Polícia Militar do Ceará, major José Messias Freitas. A mesa foi presidida pela promotora de Justiça e membro do Nuprom, Roberta Coelho. 

Em sua fala, a juíza Rosa Mendonça ressaltou a importância de ações propostas pela Lei Maria da Penha. “Eu costumo dizer que as medidas provisórias são o coração dessa lei. Elas são um grande ganho, mas as mulheres precisam fazer bom uso dessas MPs, comunicando que possui aquela MP, para receber ajuda de parentes e conhecidos se necessário”. A magistrada acrescentou, ainda, que as medidas provisórias podem beneficiar tanto as mulheres quanto os homens. “O tempo de distanciamento dado nesses casos pode ajudar os dois a esfriarem a cabeça e pensarem melhor na situação”, citou. 

Na sequência, o comandante do COPAC da PMCE, major José Messias Freitas, falou a respeito do Grupo de Apoio às Vítimas de Violência (GAVV) da Polícia Militar cearense. “Nós observamos o comprometimento da autoestima dessas mulheres devido às violências sofridas, por isso o grupo a quer tornar empoderada, devolvida à vida, numa atitude paralela à desvalorização dada pelo agressor”, explicou. O representante da PMCE salientou a necessidade de a mulher agredida ter a sensação que está sendo cuidada pelo poder público. “Que ela veja os serviços públicos chegarem ‘de mãos dadas’ para lhe ajudar, com órgão alinhados, em unidade”, disse José Messias, citando o exemplo do Núcleo de Atendimento às Vítimas de Violência do MPCE. 

A segunda palestra do dia foi sobre “a importância do sistema de saúde, educação e de assistência social na proteção e no atendimento às vítimas da violência doméstica – comunicações externas nos casos de violência contra a mulher no sistema de saúde”. O tema foi apresentado pela psicóloga e assessora técnica da Secretaria de Saúde do Ceará, Helenira Fonseca de Alencar. A promotora de Justiça e coordenadora do Nuprom, Lucy Antoneli, foi a presidente da mesa. 

Durante sua fala, Helenira Fonseca destacou que “a Lei Maria da Penha trouxe um importante esclarecimento para a caracterização da violência contra mulher”. Segundo a assessora técnica da Sesa, a abordagem dada às mulheres vítimas de violência deve ser de acolhimento. “[Isso] parece óbvio, mas não é. Existe uma dupla violência quando não se leva em conta o que a mulher relata. Precisamos vencer uma série de preconceitos para melhor exercer o combate a essas violências”. 

ascom

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