A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) puniu o time argentino Rosario Central com multa de US$ 100 mil (cerca de R$ 517 mil) pelos atos de racismo praticados por torcedores do clube contra o goleiro brasileiro Hugo Souza, do Corinthians, durante partida pelas oitavas de final da CONMEBOL Libertadores. A decisão ocorre após o Grupo Nacional de Combate à Violência nos Estádios (GNCOVE), presidido pelo Procurador-Geral de Justiça do Ceará, Herbet Santos, ter oficiado a entidade solicitando esclarecimentos e providências para a apuração e responsabilização pelos episódios de discriminação racial.
O caso ocorreu durante o jogo realizado no Estádio Gigante de Arroyito, na cidade de Rosário, na Argentina. O atleta brasileiro relatou ao árbitro que vinha sendo alvo de insultos racistas por parte de torcedores.
No ofício encaminhado à Conmebol, o GNCOVE questionou especialmente a aplicação do protocolo antirracismo durante a partida. Embora o árbitro tenha realizado procedimento previsto no protocolo, o jogo não foi paralisado. O Grupo solicitou informações sobre as providências adotadas pelo estádio e sobre as medidas previstas para a apuração dos fatos e responsabilização dos envolvidos.
Como penas adicionais, no próximo jogo como mandante de uma competição da Conmebol, o Rosario Central terá de exibir cartaz com a frase “Respeito é essencial” no protocolo de início de jogo em campo, e a mesma mensagem no telão do estádio a partir do segundo tempo. O clube argentino também será obrigado a divulgar uma campanha de comunicação nas redes sociais com a mesma frase durante os três dias que antecederem a próxima partida. O time também recebeu outras sanções financeiras, de menor valor, por diferentes infrações previstas no Manual de Clubes da entidade.
Para o presidente do GNCOVE e procurador-geral de Justiça do Ceará, Herbet Santos, o enfrentamento ao racismo nos estádios exige atuação permanente e respostas firmes das instituições responsáveis pelo futebol. “Atos de racismo não podem ser tratados como episódios corriqueiros no esporte. É fundamental que as entidades responsáveis pelas competições adotem medidas efetivas de prevenção, apuração e responsabilização, para que os estádios sejam espaços de respeito e segurança para todos”, destaca.
Em junho de 2026, GNCOVE e MPCE lançou campanha “Não ao Racismo”
O combate à discriminação racial integra as ações permanentes do GNCOVE. Em junho deste ano, o Grupo e o MP do Ceará (MPCE) lançaram a campanha “Não ao Racismo”, durante visita técnica à Arena Castelão, em Fortaleza, por ocasião do amistoso da seleção feminina entre Brasil e Estados Unidos.
A iniciativa busca conscientizar torcedores e fortalecer o enfrentamento ao racismo nos estádios brasileiros. “O futebol deve ser um espaço de inclusão, respeito e convivência. Não podemos tolerar manifestações racistas dentro ou fora dos estádios. Nossa atuação é para conscientizar, prevenir e garantir que o esporte seja um ambiente seguro e acolhedor para todos”, afirmou Herbet Santos durante o lançamento da campanha.