O olhar atento. A escuta qualificada. A intervenção adequada. Cada segundo conta para uma mulher vítima de violência. Com essa perspectiva, o Ministério Público do Ceará capacitou profissionais das forças de segurança nesta quarta-feira (02/09) em eventos simultâneos nos municípios de Fortaleza, Juazeiro do Norte, Sobral e Tianguá. O Dia C de Capacitação, mobilização nacional realizada pelo MP brasileiro em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), ocorreu em outras 26 capitais brasileiras e mais 73 municípios do país.
A atividade buscou fortalecer a atuação dos agentes de segurança pública na prevenção e no enfrentamento da violência contra mulheres e meninas, com uma abordagem que considere as especificidades de gênero. A formação também contribuiu para o atendimento mais qualificado e humanizado, evitando situações de revitimização e ampliando a capacidade de identificar riscos e adotar medidas de proteção.
“O Dia C de Capacitação nos traz uma mensagem muito clara: enfrentar a violência de gênero exige conhecimento, preparo, integração e, sobretudo, compromisso institucional. Que cada profissional leve consigo não apenas novos conhecimentos e ferramentas para sua atuação, mas também a certeza de que esse olhar mais atento e essa intervenção adequada podem fazer a diferença e, muitas vezes, salvar uma vida”, frisou a subprocuradora-geral de Justiça de Governança, Grecianny Cordeiro, que representou o Procurador-Geral de Justiça, Herbet Santos.
A corregedora-geral do MP do Ceará, procuradora de Justiça Maria Neves Feitosa, salientou que as instituições da rede de proteção devem combater a violência de gênero tanto externa quanto internamente, citando o projeto de combate ao machismo estrutural lançado em março deste ano no MPCE, que reforça o compromisso da instituição com a equidade de gênero. “O mesmo olhar que buscamos levar, através da Corregedoria-Geral, a todas as Promotorias de Justiça do nosso estado é o mesmo que proponho a cada órgão da rede de proteção. Um olhar comprometido com a dignidade da mulher e com a qualidade desse atendimento”, destacou.
A promotora de Justiça Ana Cláudia Torres, integrante do Núcleo Estadual de Gênero Pró-Mulher (Nuprom) do MPCE, pontuou que a formação “é uma demonstração concreta de que quando as instituições se unem em torno de um objetivo comum, conseguimos ampliar nossa capacidade de proteger, prevenir e transformar realidades. Assim, conseguimos garantir que o atendimento não termine na porta de um dos órgãos, mas tenha continuidade em toda a rede de proteção”.
O secretário executivo de Inteligência e Defesa Social do Ceará, Roberto Alzir Chaves, ressaltou que a capacitação vai contribuir para o trabalho que já vem sendo feito no Estado. “Que, para além das reflexões institucionais e pessoais de todos os presentes nesse evento, possamos nos aperfeiçoar mais e mais para continuarmos combatendo essa chaga social que é a violência contra a mulher”, acrescentou.
Também participaram da mesa de abertura representantes do Ministério das Mulheres, das Polícias Civil e Militar, da Perícia Forense do Ceará, do Corpo de Bombeiros do Estado e da Prefeitura e Guarda Municipal de Fortaleza.
Palestras
O evento contou com três palestras, divididas em três eixos principais: perspectiva de gênero na atuação dos profissionais de segurança pública; acolhimento e atendimento sem revitimização; e medidas protetivas de urgência e avaliação de risco.
A primeira foi ministrada pelos promotores de Justiça integrantes do Nuprom, Jorge Granjeiro e Ana Cláudia Torres. A segunda, pelo promotor de Justiça e coordenador auxiliar do Núcleo de Acolhimento às Vítimas de Violência (Nuavv) da Região Sul, Bruno Guerra, e pela representante da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), Lidiana Mendes, que ainda participou do terceiro momento com o promotor de Justiça integrante do Nuprom, Raimundo Nogueira Filho.
Depoimentos
A subinspetora da Guarda Municipal de Fortaleza, Vitória Anselmo, destacou que a abordagem trazida no curso passou, também, pela ressignificação da cultura machista em que estamos inseridos. “Os conteúdos apresentados certamente vão nos ajudar em ocorrências que porventura surjam, permitindo que possamos identificar uma mulher que esteja passando por uma situação de violência de forma mais rápida e efetiva”, pontuou. Opinião parecida tem o capitão do Corpo de Bombeiros do Ceará, Erbério Alves. “Acredito que, agora, poderei tomar decisões a partir de detalhes nos casos que antes não conseguiria enxergar de imediato”, complementou.