O Ministério Público do Ceará atuou em 35 julgamentos do Tribunal do Júri no mês de julho na capital. As sessões resultaram em 34 réus sentenciados, contabilizando penas que somam 692 anos de prisão. O balanço é da Secretaria Executiva das Promotorias de Justiça do Júri de Fortaleza e os casos foram julgados após denúncias oferecidas pelo MP do Ceará por crimes como feminicídio e homicídios ligados à atuação de organizações criminosas.
No julgamento realizado em 1º de julho, Antônio Queumar da Silva do Nascimento foi sentenciado à pena de 26 anos e seis meses de prisão pelo homicídio de J.D.C.S. praticado por motivo torpe e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. O crime ocorreu no dia 14 de junho de 2023, no bairro Planalto Ayrton Senna e foi motivado pelo fato de a vítima manifestar desejo de deixar a facção a qual pertencia o réu. Na ocasião, a vítima estava com a esposa e o filho bebê em uma concessionária de veículos, quando foi surpreendida por Antônio com disparos de arma de fogo. O réu foi condenado ainda por integrar organização criminosa.
Já em sessão do júri realizada em 13 de julho de 2026, Matheus Anthony Lima Martins foi sentenciado a 31 anos e três meses de prisão pelo feminicídio duplamente qualificado (com emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima) contra a namorada. O crime ocorreu no bairro Jardim Cearense, no dia 09 de julho de 2025, quando o réu, esfaqueou a vítima na residência dela após uma breve discussão. Segundo a denúncia, o homicídio teria sido motivado por ciúmes. Matheus também foi sentenciado a pagar R$ 40.500,00 aos familiares dela como indenização por danos morais.
Em outro julgamento, realizado em 22 de julho de 2026, Diogo Gomes de Sousa, conhecido como Gordinho das 40, foi sentenciado a 37 anos, 11 meses e um dia de reclusão pelo homicídio triplamente qualificado (por motivo torpe e com recurso que impossibilitou a defesa da vítima e emprego de arma de fogo de uso restrito) de T.M.Q.. O crime ocorreu em 14 de junho de 2025, no bairro Jangurussu, e teria sido motivado por disputa de território entre facções criminosas na região. De acordo com os autos, a vítima foi surpreendida por disparos de arma de fogo efetuados pelo réu e comparsas dentro de um condomínio residencial. Ele também foi condenado por corrupção de menores, por integrar organização criminosa e deverá pagar R$ 40.500,00 a familiares da vítima como indenização por danos morais.
Por fim, no júri realizado em 30 de julho de 2026, André Kennedy de Sousa Delfino foi sentenciado a 18 anos, 11 meses e 16 dias de reclusão, e Francisco Victor Pacheco dos Santos a 28 anos, um mês e 20 dias pelo homicídio triplamente qualificado (por motivo torpe e com recurso que impossibilitou a defesa da vítima e emprego de arma de fogo de uso restrito) de J.S.S.. O crime ocorreu em 08 de julho de 2025, no bairro Vicente Pinzon. De acordo com os autos, na noite do crime, a vítima teve a residência invadida pelos réus e comparsas, que a levaram até a praia onde ocorreu a execução. Os réus foram condenados ainda por integrar organização criminosa e deverão pagar R$ 40.500,00 a familiares da vítima como indenização por danos morais.
Os casos apresentados integram o Programa Tempo de Justiça, que é uma parceria entre o Ministério Público do Estado do Ceará, o Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, a Defensoria Pública do Estado do Ceará e a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social, com apoio técnico da Vice-Governadoria do Estado.